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É bastante comum entre praticantes de atividade
física, principalmente culturistas, a redução brusca do consumo de
gordura pela alimentação. Na maioria das vezes, justificado pelo
prejuízo que este nutriente causaria na definição muscular, e, em
menor proporção, pelos malefícios ao organismo causados pelo consumo
de gordura. Temos assim dois pontos importantes a serem discutidos
aqui neste artigo.
O lipídio, também conhecido como gordura, é um nutriente essencial na
alimentação, pois oferece energia para o organismo, fornece elementos
importantes para formação de membranas celulares, além de fonte das
vitaminas lipossolúveis (A, E, K, D). Entretanto, o consumo em excesso
de gordura pode causar prejuízo à saúde. Podemos aqui enumerar alguns
como: arteriosclerose, obesidade e doenças cardíacas.
A recomendação na quantidade e qualidade de gordura que deve ser
consumida ao dia baseia-se em índices que permitirão obter benefícios
com o consumo de gordura sem qualquer dano à saúde do indivíduo. Isto
significa que a proporção de energia da dieta vinda da gordura seja no
máximo de 30%. Destes, o máximo de 10% a partir de ácidos graxos
saturados (gordura das carnes vermelhas, produtos lácteos etc.), 20%
dos ácidos graxos mono e polinsaturados (gorduras dos peixes e óleos
vegetais). Os ácidos graxos saturados são os responsáveis pelo aumento
do colesterol sangüíneo e consequentemente todos os malefícios já
citados inicialmente.
Os ácidos graxos mono e polinsaturados podem ser classificados como
gordura essencial, pois apresentam em sua constituição componentes que
vão atuar no organismo mantendo as estruturas de membranas celulares e
formando substâncias que agem como hormônios, conhecidos como
eicosanóides. Os eicosanóides ajudam na regulação da pressão
sangüínea, na coagulação sangüínea e na resposta imune à infecção.
Além disso, os ácidos graxos essenciais mantêm a pele macia,
lubrificada e ainda a proteção das articulações.
As gorduras vegetais presentes nos óleos de milho, soja, linhaça, são
exemplos deste tipo de gordura. Assim também como o são as castanhas,
as sementes e os peixes de águas frias, os chamados "peixes
gordurosos".
A quantidade de colesterol na alimentação não deve ultrapassar 300mg
por dia. Monitorar o consumo de colesterol na dieta significa evitar
gorduras de origem animal. Consequentemente, comer menos gordura da
carne, dos ovos (gema) e produtos lácteos, o que irá ajudar também na
redução do consumo de ácidos graxos saturados.
De uma forma prática podemos monitorar o consumo destas gorduras na
alimentação. Vamos considerar por exemplo uma dieta com 2000 calorias
totais e com a participação de 25% das calorias pela gordura, isto
significa 500 calorias. Como cada grama de gordura oferece 9 calorias,
a quantidade de gordura a ser consumida é de aproximadamente 56 gramas
totais, com no máximo 22 gramas pelos ácidos graxos saturados. Veja na
tabela a quantidade em gramas de gorduras em alguns alimentos. Observe
que em apenas pequenas quantidades de alimentos fontes de gorduras
podem-se atingir facilmente as quantidades permitidas!
A atenção deve ser dada com o excesso de gordura na alimentação, porém
isto não significa que deva-se excluir este nutriente da alimentação.
A participação deste nutriente na saúde é importante e já foi
enumerada anteriormente. Talvez a principal dificuldade de se reduzir
a gordura na alimentação deva-se ao fato da sua participação na
palatabilidade dos alimentos. É sabido que a gordura desempenha papel
único no alimento e/ou preparação, dando sabor e consistência.
Além dos efeitos sobre os aspectos metabólicos do organismo, a redução
excessiva da gordura na alimentação pode também alterar o
comportamento das pessoas. O trabalho de um grupo de pesquisadores
ingleses em 1998 mostrou que a redução no consumo de gordura por um
mês em indivíduos saudáveis foi suficiente para alterar o humor dessas
pessoas. Pela aplicação de questionários específicos foram detectadas
maiores taxas de hostilidade e raiva nos participantes da pesquisa.
As recomendações são feitas para redução no excesso de gordura na
dieta, principalmente nos ácidos graxos saturados e colesterol. Deve
haver flexibilidade no planejamento dietético de forma que a
alimentação ofereça apenas as quantidades necessárias de gordura, sem
que traga nenhum problema à saúde do indivíduo. As dietas devem
enfatizar as gorduras essenciais (mono e polinsaturadas) dentro, é
claro, de seus limites. De uma forma geral, as dietas devem oferecer
de 20 a 25% da energia vindas da gordura da alimentação, isto
facilitará a ingestão adequada de carboidratos e auxiliará na
manutenção do gordura corporal.
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